Prisão na Noruega é comparada a hotel

Diferente do Brasil, não existe superlotação. Pelo contrário, os presos ficam em quartos individuais com televisão, frigobar, escrivaninha e banheiro

1926742_726200570755282_1807106988_nEm algumas prisões da Noruega, o conceito de unidade prisional modelo é levado ao extremo. Características do sistema penitenciário norueguês como prisões para poucos detentos, incentivo ao trabalho, instalações carcerárias adequadas e projetos de ressocialização do sentenciado fazem algumas prisões serem comparadas com hotéis.

Segundo o site BBC Brasil, uma das mais famosas unidades é Halden, que foi apelidada pela imprensa como “a prisão mais humana do mundo”. Principal cadeia e alvo das principais propagandas norueguesas do sistema de encarceramento, ela se diz focada na “reabilitação” dos presos e não em sua “punição”.

Diferente do Brasil, não existe superlotação. Pelo contrário, os presos ficam em quartos individuais com televisão, frigobar, escrivaninha e banheiro. Não existem grades nas janelas, apenas uma vista para um bosque próximo ao complexo.

Ao contrário do que se pensa pelo nível das instalações, ela abriga criminosos perigosos. Condenados por homicídio, traficantes de drogas e criminosos presos por violência sexual constam na prisão, e apesar disso, ela está bem longe de ficar superlotada: projetada para abrigar cerca de 250 detentos, dificilmente atingirá essa marca.

Apesar de comum, a comparação com um hotél irrita a maioria dos presos. Apenas aqueles que já cumpriram penas em outras prisões dizem estar felizes por estar lá.

Usando esse modelo, autoridades norueguesas dizem que as taxas de reincidência de presos no crime caíram para 20%, enquanto no Brasil, essa taxa gira em torno de 70%.

Óbvio que existem diferenças gritantes entre Noruega e Brasil. A população carcerária norueguesa consta de aproximadamente 4.000 detentos, segundo dados de 2010 do ICPS (sigla do Centro Internacional para Estudos Prisionais). Já o Brasil tem quase 550 mil presos (dados de 2012). Outro problema gigante para a implatação de um sistema assim em solo brasileiro é o alto custo. A manutenção de um preso na prisão modelo de Halden custaria ao Estado o equivalente a aproximadamente R$ 37 mil por mês. No Brasil, o custo mensal aproximado de um preso no sistema estadual é de R$ 1.800, segundo o Ministério da Justiça. Em uma prisão federal, o custo é de aproximadamente R$ 4 mil.

Porém, segundo analistas, cadeias como essa precisam ser repensadas. Devido aos altos índices de reincidênca brasileiros, o modelo que ressocializa ao invés de apenas punir pode acabar sendo um investimento com lucros em longo prazo.

Por:  BBC Brasil

Foto: AFP

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